quarta-feira, 22 de abril de 2009


Hoje, eu quero a rosa mais linda que houver
Quero a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje, eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero, a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje, eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
(Dolores Duran)

O meu Tony cat

O meu Tony , que é a coisinha mais mimada cá de casa e que está há 5 anos connosco. É um gato tigrado, resultado do cruzamento de uma gata tigrada comum e de um persa amarelo. Muito calmo e meigo, excepto quando o provoco para uma brincadeira. Foi abandonado por baixo do prédio onde moramos, mas mais tarde vim a saber quem o tinha feito e a sua linhagem.Quando o meu filho me pediu para ficar com um gato abandonado, a minha reacção foi muito negativa. Três anos antes tinham falecido os meus persas brancos (o Faruk e a Duquesa), com 23 e 20 anos respectivamente, o que me deixou completamente de rastos. A minha filha insistiu em comprar-me um cãozinho , um griffon Belga bem baixinho e lindo, para me ver se me animava. Realmente ele veio preencher um pouco a falta dos meus gatinhos. Mas, aos 11 meses, o Dinky começou a ter ataques epilépticos e desde essa altura, acho que não tive uma noite bem dormida. Era rara a semana que não tivesse que ir com ele ao veterinário. Fez exames a tudo, electroencefalograma...eu sei lá, até que lhe diagnosticaram uma epilepsia das mais graves. Aprendi a dar-lhe injecções, pois a medicação com comprimidos chegou a um ponto que já não era suficiente. Os ataques cada vez eram mais frequentes e mais longos...um verdadeiro suplício vê-lo assim, mas depois de cada crise voltava a ser o bichinho querido de sempre, como se nada tivesse. O veterinário chegou a colocar a hipótese da eutanásia, mas eu nem conseguia imaginar semelhante coisa!! Ao fim de 3 anos, acabou por não resistir e morreu na clínica quando estava a ser assistido mais uma vez. Foi um período terrível cá em casa, pois todos nós tínhamos muito carinho pelo Dinky...Andei a chorar pelos cantos da casa durante meses.Então eu disse que não queria mais nenhum animal, pois estava farta de sofrer cada vez que um dos meus bichinhos morria. E foi nessa altura que o meu filho trouxe o Tony para casa, mesmo contra a minha vontade, pois nem o queria ver para não ter tentações!! Certo e sabido! Quando o vi , foi amor à 1ª vista! Aquela bolinha de pêlo tigrado enroscou-se logo no meu colo, como se me conhecesse desde sempre e, bom, aqui o temos já há 5 anos! Graças a Deus tem sido saudável, mas tem uma particularidade: não come peixe , carne, fiambre, queijo...nada da nossa comida! Posso deixar os melhores bifes ou peixe sobre a bancada da cozinha que ele não toca em nada! Até há uns meses só comia comida granulada própria para gatos. Agora come todas as noites uma latinha de Gourmet, e não são todos os menus que lhe agradam...Só coisas que o deixam completamente doido: camarões! Mia até conseguir o que quer e isso não posso deixar sobre a mesa ou bancada... Pois é, estas coisinhas fofas dão-nos trabalho, preocupações ...etc, mas em contrapartida, dão-nos muito carinho e fazem-nos muita companhia. Eu acho que o meu Tony é um gato feliz. Sai para ir lá a baixo ter com os amigos quando quer( pede, sabem?), só come o que lhe agrada, é escovado diariamente, é limpo com Dodots, toma banho no banheiro aquecido e com água quentinho, dorme comigo, leva mimos e beijos a toda a hora... que mais pode um gato querer?
Bem, houve um senão: tive que o castrar aos 8 meses por viver num apartamento, caso contrário arriscar-me-ía a ter a casa toda marcada, como fazem todos os felinos para delimitar o seu território...
Que apresentação longa, heim?!

Gatos

Ao contrário do que se diz ( pelo menos as pessoas que não os conhecem), os gatos têm muito mais para dar do que parece ou possam pensar.
O importante é entender que não são cães (que eu também adoro), não reagem como eles, não nos dão os mesmos sinais e, como tal, não podemos esperar deles os comportamentos que esperamos de um cão. É quase impossível depois de conhecer bem os gatos não nos rendermos ao seu charme.
É engraçado , aprender a sua natureza !...
Antes de se dizer que não se gosta, é importante que as pessoas procurarem entender o que nos rodeia; sejam eles gatos, cães, outras pessoas...e, sobretudo respeitá-los de acordo com o que são. Não pretender que sejam outra coisa que não o que são, não pretender que sejam algo que sonhámos um dia que haveriam de ser e, sobretudo, amá-los mesmo assim.
Aconselho a leitura de alguns livros sobre gatos, que ajudam a conhecê-los melhor.

"Dewey, o gato que comoveu o mundo" de Vicki Myron com Bret Witter

Conta-nos uma história verídica narrada pela pessoa que a protagonizou. Basicamente trata-se do aparecimento de um gatinho na caixa de devoluções dos livros da biblioteca de uma pequena cidade no Iowa, abandonado, esfomeado, enregelado, mas pronto a dar tudo o que dele nem se poderia suspeitar.

O aparecimento de Dewey na biblioteca veio torná-la mais humana, mais dinâmica, mais interessante e, por isso mais visitada. O gato parecia ter uma intuição muito especial para dar mais atenção às pessoas que dela mais necessitavam ou que, por qualquer razão se encontravam mais vulneráveis ou carentes.
Intuitivo, como já referi, paciente, interagia com as pessoas da forma que estas mais necessitavam.

O seu caso foi-se espalhando tendo sido notícia nos meios de comunicação social locais, nacionais (americanos) e internacionais (até no Japão!).
É uma história sem grande valor literário mas, para quem como eu gosta de gatos e de livros, agradável de ler e até comovente.

"Larousse dos Gatos"


Uma obra completa para aqueles que têm, pretendem ter, criam ou, simplesmente, para os que os adoram. O livro aborda todos os aspectos do felino, a começar por sua história ao lado do ser humano há milhares de anos. Um capítulo especial apresenta ao leitor as características de todas as raças reconhecidas internacionalmente, e é um óptimo instrumento para conhecê-las melhor e escolher a raça mais adequada ao estilo de vida e às necessidades do futuro dono.
Capítulos dedicados ao dia-a-dia do gato, sua alimentação e cuidados especiais...

"Gatos: Comportamento, Alimentação e Cuidados"
BIRGIT GOLLMANN

Este livro tem tudo o que se precisa saber para escolher o seu animal de estimação e cuidar bem dele.
Características como idade, temperamento e comprimento do pelo e escolha um gato que combine consigo e com sua casa, os cuidados específicos necessários aos gatos nas várias fases, da infância à velhice.

"Por Que os Gatos São Assim?"
KAREN ANDERSON

É uma leitura leve e saborosa para os amantes de gatos. Repleto de ilustrações delicadas em nanquim, reúne explicações para 40 dúvidas comuns sobre os comportamentos típicos desses felinos.

"Gatos: Guia Prático"
REBECA KINGSLEY

Estes livros com apresentação e formatos especiais são guias práticos nos quais se podem encontrar informações úteis e práticas para seus hobbies.
Vêm com textos explicativos, belíssimas fotos, especificações e ícones coloridos que indicam de maneira rápida os dados mais importantes.

O olhar de uma criança

"Olha-me rindo uma criança
E na minha alma madruga.
Tenho razão, tenho esperança
Tenho o que nunca me basta.

Bem sei. Tudo isto é um sorriso
Que é nem sequer sorriso meu.
Mas para meu não o preciso
Basta ser de quem mo deu.

Breve momento em que um olhar
Sorriu ao certo para mim...
És a memória de um lugar,
Onde já fui feliz assim."
Poesias Inéditas de Fernando Pessoa

terça-feira, 21 de abril de 2009

Segurança ou confiança?



Segurança é ter a certeza de algo, a confiança é a esperança de algo incerto mas que se crê poder alcançar. É possível que para algumas pessoas confiar noutro ser humano possa significar uma espécie de suicídio emocional...como se se avançasse voluntariamente para uma morte segura do coração, como quem se levanta com o único propósito de voltar a cair.
No entanto, também é possível que se só nos movimentarmos na zona que estipulámos como segura, por mais ampla que esta seja, acabemos confinados a um território limitado e, possivelmente, sentir-nos-iamos presos...sufocados pelos limites impostos por nós próprios.
Por vezes sentimos uma vontade imensa, quase uma necessidade de nos protegermos usando uma enorme couraça que nos proteja de riscos, sofrimentos ... Frequentemente precisamos esconder-nos dentro dessa couraça para nos reencontrarmos até connosco, quando nos sentimos inseguros das decisões a tomar ou das resoluções encontradas. Em contrapartida sinto que é necessário confiar, viver de esperanças, crer e confiar em nós próprios para poder confiar nos outros, apesar de reconhecer que o simples facto de assomar com a cabeça e logo o corpo fora dessa couraça pressuponha arriscar...mas arriscar é uma forma de viver, talvez a única.
Creio que o mais importante e igualmente difícil, é saber encontrar o equilíbrio entre uma e outra, cada um pode escolher o lado certo da balança. Mas a dúvida volta sempre...qual é realmente o lado certo?
Difícil ...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

SABER VIVER


Não sei...
Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.


Muitas vezes basta ser:


Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.


E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar"

Cora Coralina